Estaleiro

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Terça-feira, Janeiro 06, 2009

"A crise actual e a bolha de crédito na Idade Média"

Paralisação dos mercados de crédito, subida das taxas bancárias, falta de liquidez e falências de instituições financeiras. Os investigadores dizem que este padrão já se observava na época medieval.

De acordo com um estudo de investigadores da Universidade de Reading, em Inglaterra, o sistema financeiro já se encontrava em estado bastante avançado no século XIII.

Eram cobradas taxas de juro ajustadas ao grau de risco e à duração dos empréstimos e definidos colaterais sobre os créditos concedidos.

Os financiadores eram sobretudo mercadores italianos, como os Ricciardi de Lucca, ou burgueses flamengos que criaram entre eles algo semelhante ao sistema interbancário actual. A sofisticação financeira incluía até contratos de futuros sobre lã, por exemplo, que poderiam servir de colateral a empréstimos concedidos.
O rei de Inglaterra Eduardo I, retratado no filme "Braveheart", foi o primeiro soberano inglês a criar uma relação financeira sistemática com mercadores, nomeadamente com os italianos Ricciardi. Esta família financiava o trono em moldes que os autores consideram similar a "uma conta corrente moderna que incorpora mecanismos de dívida", o que permitia ao monarca financiar os exércitos e a construção de castelos. Os Ricciardi obtiam crédito junto de outros mercadores europeus, criando um sistema semelhante ao mercado interbancário.
No entanto, havia limitações. Cobrar juros por um empréstimo era proibido na época, sendo classificado pela Igreja como usura. Este entrave obrigava as partes envolvidas na concessão de crédito a fazer "contabilidade criativa" para ocultar que estavam a transgredir as regras religiosas.
A crise de 1294

Os Ricciardi começaram a financiar Eduardo I durante a década de 80 do século XIII, altura que os autores do estudo classificaram como sendo de acesso a dinheiro fácil e barato. Mas a bolha de crédito acabaria por rebentar.

Em 1294 o Papa, um dos maiores 'players' financeiros do mundo medieval, exigiu o retorno do valor dos empréstimos concedidos. Ao mesmo tempo rebentou uma guerra entre a França e a Inglaterra, com a Coroa gaulesa a aumentar de forma significativa os impostos aos mercadores. Estes factores criaram perturbações nos mercados de crédito, tornando o dinheiro mais caro e escasso. Para os investigadores, citados pela BBC, a situação "tem semelhanças notáveis com as dificuldades actuais, com a principal causa a ser a falta de liquidez no mercado monetário".
Assim, quando Eduardo I contava com a continuação do financiamento dos Ricciardi, a família italiana, que estava fortemente alavancada, não conseguiu dar resposta. Como medida de retaliação, o soberano inglês confiscou as propriedades dos Ricciardi em Inglaterra, precipitando a falência dos seus habituais financiadores.

A medida de Eduardo I saiu-lhe cara. O monarca teve de procurar créditos de curto prazo, com juros elevadíssimos, junto de outros mercadores. Chegou a ter de pagar uma taxa anualizada de 150%.

Questionados pela BBC sobre como Eduardo I teria lidado com a crise financeira actual, os autores do estudo sugeriram que, provavelmente, teria colocado os gestores dos bancos em prisão domiciliária, sem julgamento, até o governo conseguir recuperar o máximo possível dos seus activos.


in http://www.economico.pt/

# | José Pedro Gomes 4:09 PM

PS - "Força política estável e preparada para voltar a Governar Portugal"
http://www.economico.pt/noticias/antonio-costa-lanca-socrates_114.html

# | José Pedro Gomes 3:45 PM

Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007

Um valente e sonoro SIM
Para que mais nenhuma mulher seja julgada ou perseguida. Para que nenhum mulher seja sujeita a trabalho comunitário como defende o super-coordenador do não, um tal de Bagão Félix. Para que mais nenhuma mulher morra por não ter meios para ir fazer a IVG a Espanha e ser obrigada a se sujeitar ao aborto clandestino. Por uma verdadeira educação sexual nas escolas que os defensores do Não sempre tentaram impedir. Porque como diz Natália Correia no seu poema dedicado ao Morgado, o acto sexual faz parte do ser humano, jamais pode ser apenas visto como forma de procriação. Porque a mulher possui o seu corpo para também poder tirar prazer dele. Por tudo isto e muito mais, voto convictamente SIM! Ninguém pode faltar com o seu voto no próximo domingo. HJCC

# | Humberto Coelho 4:22 PM

Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007

Carminho & Sandra
Carminho senta - se nos bancos almofadados do BMW da mãe. Chove lá fora .Encosta o nariz ao vidro para disfarçar duas enormes lágrimas que lhe rolam pela face. A mãe conduz o carro e aperta - lhe ternamente a mão. Há muito trânsito na Lapa ao fim da tarde. A mãe tem um olhar triste e vago mas aperta com força a mão da filha de 18 anos. Estão juntas. A caminho de Espanha.

(Mais a baixo na cidade)

Sandra senta - se no banco côr - de - laranja do autocarro 22 que sai de Alcântara. Chove lá fora. Encosta o nariz ao vidro para disfarçar duas enormes lágrimas que lhe rolam pela face. A mãe está sentada ao lado dela. Encosta o guarda - chuva aos pés gelados e aperta - lhe ternamente a mão. Há muito trânsito em Alcântara ao fim da tarde. A mãe tem um olhar triste e vago mas aperta com força a mão da filha de 18 anos. Estão juntas. A caminho de casa de Uma Senhora.

O BMW e o autocarro 22 cruzam - se a subir a Avenida Infante Santo.

Carminho despe - se a tremer sem nunca conseguir estancar o choro. Veste uma bata verde. Deita - se numa marquesa. É atendida por uma médica que lhe entoa palavras doces ao ouvido, enquanto lhe afaga o cabelo. Carminho sente - se a adormecer depois de respirar mais fundo o cheiro que a máscara exala. Chora enquanto dorme.


Sandra não se despe e treme muito sem conseguir estancar o choro. Nervosa , brinca com as tranças que a mãe lhe fez de manhã na tentativa de lhe recuperar a infância. A Senhora chega. A mãe entrega um envelope à Senhora. A Senhora abre - o e resmunga qualquer coisa. É altura de beber um liquido verde de sabor muito ácido. O copo está sujo, pensa Sandra. Sente - se doente e sabe que vai adormecer. Chora enquanto dorme.

Carminho acorda do seu sono induzido. Tem a mãe e a médica ao seu lado. Não sente dores no corpo mas as lágrimas não param de lhe correr cara abaixo. Sai da clínica de rosto destapado. Sabe -lhe bem o ar fresco da manhã. É tempo de regressar a casa. Quando a placa da União Europeia surge na estrada a dizer PORTUGAL, Carminho chora convulsivamente.

Sandra não acorda. E não acorda . E não acorda. A mãe geme baixinho desesperada ao seu lado. Pede à Senhora para chamar uma ambulância. A Senhora não deixa, ponha - se daqui para fora com a miúda, há uma cabine lá em baixo, livre - se de dizer a alguém que eu existo.
A mãe arrasta a Sandra inanimada escada a baixo. Um vizinho cansado, chama o 112 e a polícia.
Sandra acorda no quarto 122 dias depois. As lágrimas cara abaixo. Não poderás ter mais filhos, Sandra, disse -lhe uma médica, emocionada.
Sai do hospital de cara tapada, coberta por um lenço. Não sente o ar fresco da manhã. No bolso junto ao útero magoado, a intimação para se apresentar a um tribunal do seu país: Portugal.


Eu voto sim . Pela Sandra e pela Carminho. Pelas suas mães e avós. Por mim.
Rita Ferro Rodrigues

# | Humberto Coelho 7:48 PM

Sábado, Abril 15, 2006

PORTUGAL - situação presente e expectativas para o futuro
No âmbito da campanha de seis candidatos para a Presidência da República, era inevitável que não se discutisse a situação portuguesa em todos os campos. Obviamente, falou-se principalmente da economia e de todas as características desta ciência social. Os seus obstáculos que coarctem o desenvolvimento e a acuidade das medidas a tomar foram temas intrínsecos a esta campanha.
Considero que faltaram discussões estritamente ligadas às questões sociais, culturais. Estas questões são, na minha opinião, formas de proporcionar uma boa ambiência que pode conduzir a uma diferente forma de analisar os problemas, que são cada vez mais os económicos.
Houve, também, uma certa confusão entre as competências do Governo e as do Presidente da República. Certos candidatos tentaram mostrar as suas ideias e propostas para o país fazendo uso de falácias, ou seja, "ludibriando" o seu discurso perante vários auditórios dizendo que iam fazer algo, que na verdade não podiam fazer, pois eram competências inerentes ao Governo e não ao Presidente da República.
Verificou-se, ainda, um acompanhamento negativo da campanha, por parte da comunicação social, o que levou a que as pessoas ficassem realmente "enfastiadas" da campanha e dos seus intervenientes.

Nesta campanha, ficou visível a falta de optimismo dos portugueses. Já não acreditam nos políticos, já não acreditam nas suas propostas, já nem acreditam na vontade dos candidatos em alterar o rumo a seguir. Penso que estas mentalidades são preocupantes.
Os políticos eleitos nas diferentes eleições recebem a soberania que os eleitores lhes delegam. Este foi um dos princípios iluministas do século XVII que contribuiu para a liberdade, igualdade e democracia da actualidade.
As pessoas não podem perder o interesse por eleições. Não podem entrar num clima de ataraxia e indiferença. Têm de reforçar a sua cidadania. Nós, portugueses, somos necessários para a evolução deste país. O país precisa de nós. E nós precisamos de alguém que nos represente. Se nos unirmos e tentarmos contribuir com um pouco de nós, o país pode reforçar a sua posição na Europa e no Mundo! De facto, todos desejamos ser honrados no estrangeiro.
Temos de alterar o sucessivo decréscimo de Portugal, e isso pode passar pela aplicação de políticas económicas eficientes e eficazes, tanto conjunturais como estruturais.
Tudo isto é possível e exequível!

Possuímos um Governo com maioria absoluta que deseja melhorar o país. Todas as medidas que têm sido postas em prática eram inevitáveis. A população não as aceita, mas a verdade é que não existem alternativas.
Agora, independentemente do Presidente da República que foi eleito, é necessário que exista uma boa relação entre o Governo e o Magistrado da Nação. Não podem surgir conflitos, e não pode haver crise política.

Avizinham-se tempos de preocupação com o futuro do país. Não se pode arriscar.
Depois destas eleições presidenciais, temos a hipótese de pensar tranquilamente com o intuito de encontrar formas de resolver a nossa situação. Com o interesse e participação das pessoas, com coerência, com sabedoria e com novas concepções cívicas e pedagógicas.
É tempo de melhoras. É tempo de mudanças. O nosso futuro está em jogo! É essencial que o país se desenvolva e cresça. É necessário atingir os objectivos para os quais nos propomos.
Pessoalmente, acredito que é possível!

# | José Pedro Gomes 5:39 PM

Sexta-feira, Fevereiro 10, 2006

Como a liberdade
"Não concordo com uma única palavra do que dizes, mas defenderei até à morte o vosso direito de dizê-la."
[Voltaire (François Marie Arouet), (1694-1778). Escritor e filósofo francês ]

# | Francisco Curate 4:37 PM

Segunda-feira, Fevereiro 06, 2006

Responsabilidade e Liberdade
Caro Bruno,

Confesso que gostaria de terminar com um post de concordância. Mas, dado o contexto, apenas o farei em parte.

No teu último artigo decides colocar no mesmo cesto duas questões que me parecem claramente distintas.

Vamos ao que nos une: o casamento civil entre duas pessoas de livre vontade parece-me ser um direito evidente. Considero sem nenhuma importância o sexo de cada uma delas.

Mas há algo que nos desune profundamente. Enalteces, e muito bem, a determinada altura no teu post a coragem do casal Teresa e Lena. Mas logo depois cometes, na minha opinião, um grande erro: tratas as duas como Mães da tal criança. Marisa, de sua graça. Ora, ela nunca poderá ter duas mães. Terá sempre uma Mãe e um Pai, por ordem meramente aleatória. Não perceber isso é criar grandes problemas à pequena Marisa na sua pré-adolescência. E a criação de problemas só se compreende com pessoas que não se amam.

Em conclusão: Tenho, para mim, a convicção de que jamais se poderá chamar alguém de Pai ou de Mãe quando não existe uma relação afectiva extremamente forte. Só essa falta é que poderá levar à incompreensão de que certas atitudes e palavras prejudicam a Marisa. A isso designa-se, para além de muitas outras coisas, de Responsabilidade. Ou da falta dela.

Poderá haver Liberdade sem Responsabilidade? Estou em crer que não.

Até Sempre!

PS: Muito Obrigado ao Francisco Curate, ao Paulo Valério, ao neo-brasileiro João Pedro (Róidas), ao Zé Pedro e ao Luís Lusitano. Foi uma grande Honra.

# | Humberto Coelho 3:57 PM

Tolerância e Respeito
Caro Marco,

Aprendi, há já alguns anos, a respeitar todas as culturas. Achei sempre lamentável qualquer tipo de comentários que incutam a ideia da existência de culturas respeitáveis e outras menos respeitáveis.

Sem tolerância ou respeito pelos valores dos nossos semelhantes jamais atingiremos essa Liberdade de que alguns falam, incluíndo tantas vezes de forma leviana.

Essa é a opinião de alguém que se encontra desligado, por opção pessoal, dos temas das religiões.

Felicidades nesta nova aventura.
Abraço

# | Humberto Coelho 3:50 PM

Sábado, Janeiro 28, 2006

Liberdade!
Violo a promessa de apenas escrever mais um post neste blogue (o de despedida) para enaltecer a coragem do casal Teresa e Lena (mães da Marisa, de 11 anos). Sei que muito provavelmente não lerão este blogue, mas dou-lhes o meu apoio.

O direito dos cidadãos homossexuais ao casamento e à adopção é uma causa que não esteve nestes dois anos de blogue, o qual cedo se afunilou e se dedicou, quase em exclusivo, à política pura e dura. Durão e Santana assim o exigiam, talvez. Ou talvez não. Mea culpa, portanto.

Espero que, durante esta legislatura, a desigualdade assente nas preferências sexuais desapareça da lei. E que os políticos olhem para a Espanha de Zapatero: bastou retirar a menção "de sexo diferente" à lei do casamento para que milhares de homens e mulheres pudessem, enfim, ser legalmente felizes. Pela liberdade!

Bruno Rocha

# | bruno 2:08 PM

Quinta-feira, Janeiro 26, 2006

Bom Dia
Num determinado dia, algo distante, houve um amigo meu que me terá dito qualquer coisa do género: "Na nossa vida apenas nos desiludimos com as pessoas que num determinado momento demos valor e nos disseram algo. As outras não merecem que percamos tempo a pensar nisso".

Nem sei sequer se ele imaginaria como essa frase haveria, tantas vezes, de fazer sentido.

PS1: Ao Bruno despeço-me, deste Estaleiro, recordando as coisas boas. As vezes que nos "picavamos" mutuamente e separavamos isso das questões pessoais foi seguramente um deles. Coisas essas que serão, pelo menos para mim, muito mais importantes que as menos boas. São dessas de que me vou recordar.
PS2: Ao Luís não me despeço, porque estou certo que nos iremos aí reencontrar em breve.

# | Humberto Coelho 10:34 AM

Quarta-feira, Janeiro 25, 2006

phasing out
Tal como prometido há uns tempos, abandono este blogue após as eleições.

É aos bochechos. Hoje, sai o meu nome do template, e sai também a divisa que encimava o blogue: "Sobre a canhota aplicabilidade da boa e velha democracia a Portugal. Entre outras coisas". É um lema essencialmente pessoal, que não poderia nunca enquadrar a escrita de alguém com que estou em profundo desacordo em vários planos, incluindo o ético. Seria, convenhamos, irónico demais. Mas não reatarei agora discussões que já foram tidas aqui. Não é o tempo. Não vale a pena.

A entrada de despedida será escrita nos próximos dias (assim que houver um tempinho).

# | bruno 7:20 PM

Que dizem agora?
Ouvi a Inês Pedrosa dizer, com farpas a Sócrates, que já existe um movimento sob os auspícios de Manuel Alegre. Mau princípio. Tratando-se de um movimento para afrontar o secretário-geral é um favor à direita e uma certidão de óbito para si próprio. in Ponte Europa. Lembram-se do que diziam alguns dos meus companheiros deste Estaleiro? Afinal, as verdadeiras razões desse "movimento" começam a vir à tona da água. Como é complicado ter razão antes do tempo...

# | Humberto Coelho 4:05 PM

Questionário de Pedro A.
O amigo Pedro A. deixou-me umas questões, dirigidas a mim próprio, na caixa de comentários. Aqui ficam as minhas respostas:

Pedro A: Manuel Alegre provou ser o melhor candidato colocado à esquerda para vencer Cavaco: Concordas? Se não, o que faz de Mário Soares o melhor e qual o papel de Alegre no resultado eleitoral do candidato apoiado por ti?
Humberto Coelho: Se se considerar, exclusivamente, o número de votos obtidos tenho de reconhecer isso. Entendo, desde sempre, que em política o julgamente do Povo, através de eleições, é soberano. No entanto, se tivermos a falar em termos de preparação necessária para ocupar o mais elevado cargo da Nação continuo a considerar que Mário Soares seria, claramente, a melhor opção depois das públicas recusas quer de Guterres quer de Vitorino em se candidatarem.

PA: Qual o espaço de Alegre no PS no pós-eleições?
HC: Já aqui escrevi recentemente, num artigo que causou uma certa polémica, aquilo que temia que fosse o cenário pós-eleições. Alegre, se bem o conheço, vai tentar fazer valer esse um milhão de votos e vai tentar convencer o interior do PS que é isso que ele vale, com todas as implicações que isso terá. Sócrates, ou muito me engano, ou não irá na sua conversa. Acabará por se criar uma tensão crescente entre os dois e por isso manifestei-me a favor de um congresso, o mais breve possível, para clarificar a situação.

PA: O denominado movimento de cidadania iniciado pelo deputado poeta pode, ou não, trazer benifícios para o partido?
HC: Alegre é deputado e dirigente nacional- "aparelhista nacional" como alguns designam- do PS há 30 anos. Só agora é que se lembrou de dar poder aos cidadãos? Como é evidente as declarações negativas feitas pela maioria dos representantes desse movimento, salvo raras excepções, ao líder do PS não auguram nada de bom. Não deixa de ser curioso, por exemplo, se nos questionarmos a razão pela qual é que a grande maioria dos membros desse "movimento" são funcionários públicos.
Se os adeptos activos desse "movimento" estivessem interessados em contribuir para o PS teriam participado nas eleições autárquicas. Mas, nessa altura, estavam mais interessados em resolver outras coisas do que a dar o seu contributo para a vitória do PS. Agora, apareceram com todo o tempo do mundo. Não entendo a política dessa forma.

PA: Alegre devia prescindir do seu posto de deputado socialista na AR?
HC: Alegre foi na lista de deputados na quota do secretário-geral, Eng. José Sócrates, e por exigência deste junto da estrutura distrital de Lisboa, como é público. Em conclusão, é a Sócrates, e só a ele, que deve ser feita essa pergunta.

PA: Apoiarias Alegre (e aqui vem o sarcasmo do Avelino F Torres que, acredito, compreendeste mas, simplesmentes, voltaste a fugir à questão) caso fosse o candidato apoiado pelo PS?
HC: Mário Soares disse que apoiaria incondicionalmente Manuel Alegre se este último fosse o candidato apoiado pelo Partido Socialista, sob indicação do seu secretário-geral. Subscrevo, a 100%, as palavras de Soares.

PA: Se defendeste a realização de um Congresso Extraordinário, como observas a posição do secretário-geral do PS e primeiro-ministro ao rejeitar esta possibilidade?
HC: Em condições normais, as eleições directas do secretário-geral deverão se realizar em Setembro deste ano e o Congresso Nacional Ordinário no mês seguinte. Era importante, a meu ver, que houvesse uma clarificação. Julgo que se o Congresso fosse mais distante no tempo, que Sócrates teria avançado para a marcação de um extraordinário. Mas essa é uma conclusão meramente pessoal.

PA: Qual é o melhor palntel do futebol portugês?
HC: Quero-te dizer, antes de mais, que nada tenho a ver com o brilhante jogador de futebol Humberto Coelho.
Dito isto, e na dúvida sobre se me questionas sobre os melhores jogadores Portugueses ou os que estão a actuar no nosso país, vou pressumir que te referes à primeira hipótesse. Aqui vai:
Baía; Nélson, J. Andrade, R. Carvalho e N. Valente; Petit; Deco; Cristiano Ronaldo, Luís Figo e Simão; Pauleta.
Julgo que não me saíria muito mal com esta equipa. Desde que os intervenientes jogassem como tal e não dando valor a protagonismos pessoais em detrimento dos objectivos colectivos que são os que realmente importam. Sobre a necessidade de se jogar em equipa e em remar todos para o mesmo lado poderia dizer muitas coisas. Mas aí, teria obrigatoriamente de recomeçar a responder ao questionário.

Espero te ter conseguido esclarecer sobre o meu ponto de vista. Caso contrário, agradeço que coloques mais questões. Estarei sempre disponível para responder.
Um abraço

# | Humberto Coelho 1:30 PM

Terça-feira, Janeiro 24, 2006

Freedom
Não pode deixar de ser visto aqui.

# | Humberto Coelho 2:31 PM

Segunda-feira, Janeiro 23, 2006

CARTA ABERTA
Camarada Mário,

Numa altura em que se generaliza o uso ao conceito de carta aberta, também não quis deixar de me dirigir a si dessa forma.

Quero-lhe agradecer. Por tudo o que fez antes e depois do 25 de Abril. Por ter sido secretário pessoal de Norton de Matos e também por ter estado do lado de Humberto Delgado. Por ter lutado no exílio pela Revolução dos Cravos. Pelo Vinte e Cinco de Novembro. Por ter evitado a bancarrota no nosso país, com as medidas de austeridade que tomou enquanto foi chefe de governo. Pela adesão à CEE logo em 1986, acontecimento em que foi preponderante a sua influência junto de "son ami Miterrand". Por ter dado uma visão moderadora do órgão de Presidente da República.

Mas quero-lhe, sobretudo, felicitá-lo. Por sempre defender acerrimamente aquilo em que acreditou toda a sua vida: o Socialismo Democrático, a fraternidade e a tolerância. Por estar sempre do lado do seu PS, apesar de, e ao contrário de outros que o negaram, já não ser seu dirigente há 20 anos. E, sobretudo, por ter dito que jamais se candidataria sem o apoio do Partido Socialista. Quando outros queriam esse apoio e embirraram só por não terem sido eles os escolhidos pelo nosso secretário-geral e primeiro-ministro de Portugal. Isso revelou, uma vez mais, a sua coluna vertebral.

Você é o maior estadista Português, pelo menos, dos últimos 50 anos. É isso que ficará na história.

Valeu a pena o sonho que você idealizou em 1973 na Alemanha. Esse sonho que tão bem está entregue nas mãos do nosso camarada José Sócrates. Não o deixemos cair nas mãos erradas.

Uma última palavra: fiz campanha por si nas ruas, nos mercados e nas feiras. Éramos poucos, bem sei. Os poucos de sempre que sempre aparecem quando as coisas estão em baixo. Ao contrário de muitos outros, eu prefiro estar com quem acredito nos momentos difíceis. Porque sei que nos fáceis eu não serei tão útil.

Foi uma honra ter estado do seu lado, Camarada Mário Soares.

Humberto José da Cruz Coelho

# | Humberto Coelho 9:38 AM

Um estádio
É por um estádio de futebol -- cerca de 60.000 votos -- que a segunda volta não se realiza. A tendência de perda da Direita acentuou-se e Cavaco acabou por somar 50.6% dos votos. A estratégia de contenção de danos resultou in extremis.

Mas foi esta a escolha dos eleitores. E isso deve ser respeitado até às últimas consequências. A inteligência do eleitor não se mede pela simpatia que tem pelas nossas posições. Não há, não pode haver, candidatos que perdem por serem bons demais para o país. Cavaco ganhou e a Esquerda perdeu. Ponto final.

Cavaco merece ser felicitado. A partir de hoje, o seu sucesso confundir-se-á, em certa medida, com os êxitos do país. Espero sinceramente que saiba interpretar as reformas que o governo socialista -- também eleito por maioria absoluta -- tem levado a cabo. Que não materialize a sua honestidade e inteligência em tentativas de condução do elenco governativo, tanto mais perigosas quanto alicerçadas numa compreensão dos processos de desenvolvimento que, se igual à posta em prática durante os dez anos de cavaquismo, será forçosa e extraordinariamente limitada. Finalmente, desejo que me surpreenda pela positiva e saiba demonstrar uma visão do cargo presidencial que não exibiu nestes meses.

Se Alegre, o candidato e camarada a quem dei orgulhosamente o meu convicto apoio, demonstrou ser objectivamente a melhor opção à Esquerda, não é menos verdade que Mário Soares se entregou à luta e evidenciou uma vitalidade assaz surpreendente. O seu legado, aliás, não surge beliscado por este resultado menos bom -- a História não se apaga e a noite de 22 de Janeiro de 2006 não mais será, decerto, do que uma simples nota no rodapé do seu trajecto, sem o qual as últimas três décadas deste país teriam sido bem diferentes.


*


Discorre-se também (a quente) sobre as consequências que estas eleições possam ter sobre o PS ou, até, sobre o governo. Considero sinceramente que o assunto é menor e não goza, no fundo, de substancial razão de existir. Com toda a naturalidade, Sócrates afirmou hoje que "estas eleições não têm nada a ver com a vida interna do partido", negando-se a avançar com um exótico Congresso extraordinário. Tal revela sensatez e sentido estratégico: dever-se-ia, agora, fazer perigar a preciosa estabilidade política que rodeia este governo e a maioria parlamentar? Em nome de quê? Dar espaço a estéreis e infundados ajustes de contas seria, na minha opinião, irresponsável. Mais do que evitar um conflito latente, trata-se de não criar um conflito hoje inexistente. Uma pequena ferida, se não nos dedicarmos estupidamente a escarafunchá-la, sarará sem grandes delongas.

Por isso, julgo precipitadas as declarações de Ana Gomes e sobretudo de António Vitorino, tendo-se este último referido (e cito de memória) a "dinâmicas geradas pela clara derrota da estratégia do partido, derrota essa que deve ter consequências a nível interno". Eu, sinceramente, não sei se isto é o que parece. Sendo-o, parece que alguém anda a procurar adversários nos locais errados.


*


As palavras finais são para o deputado-poeta.

O íntegro e corajoso Manuel Alegre, que é também vaidoso e obstinado, com as contradições a que não escapa e com as suas limitações, ajudou a descobrir algo de genuinamente novo. O movimento gerado demonstrou haver todo um campo de intervenção cívica para além da partidocracia. Os cidadãos podem unir-se à volta de causas nacionais, influenciar com isso os partidos, bater-lhes o pé ou, até, transportar a sua criatividade e energia para dentro dessas estruturas (porque não?), tão frequentemente tomadas por um aparelhismo sombrio e acomodado. Nova seiva para os partidos? Para o PS? Oxalá.

Goste-se ou não, Alegre ajudou verdadeiramente a descobrir esse poder, e fê-lo percorrendo não só a sua própria história de militante socialista e notável homem político, mas também acorrendo aos lugares pouquíssimos comuns da Pátria e da Poesia. A estética voltou à política, e tal, também, não é coisa pouca.


É isso, Manuel: a terra da aventura é aqui. É agora e sempre. Somos nós.

# | bruno 12:00 AM

Domingo, Janeiro 22, 2006

Congresso Extraordinário: SIM
No decorrer daquilo que tenho ouvido nessa noite eleitoral, que vai de encontro a tudo o que aqui escrevi nas últimas semanas, julgo positiva a possibilidade de um Congresso Extraordinário.

É inegável, até pelas conversas que tive com os seus eleitores, que a insatisfação em relação ao governo do PS, liderado pelo próprio Sócrates, era inequivocamente a primeira razão que apresentavam para votar Alegre. Não deixa de ser inquietante a quantidade desses insatisfeitos. Quem negava isso, incluindo pessoas integrantes deste blogue, é porque não tiveram o cuidado de ouvir essas pessoas.

É por isso, essencial uma clarificação no Partido Socialista. Julgo que o actual líder do PS não terá receio desse desafio. Espero que o líder dos Alegristas também não o tenha.

Reafirmo tudo aquilo que tenho vindo a dizer: para além de uma eleição presidencial, era, inevitavelmente, uma forma de medir o descontentamento deste Governo e do actual PS, liderados pelo Eng. Sócrates. Esta noite, as reacções políticas têm-me dado razão.

PS1- Nem me atrevo a comentar as reacções de contentamento dos Alegristas às 20h quando eram divulgadas as projecções, que davam eleição do candidato de Direita como quase certa. Isto porque há vocabulário que me recuso a utilizar neste espaço de debate de ideias.

PS2- Apoiarei a reeleição do Eng. Sócrates ao cargo de secretário-geral do PS nas eleições internas. Porque, entre várias outras razões, gosto de ser coerente. Faço votos para que todos o sejam.

# | Humberto Coelho 9:26 PM

Grande Soares
Só é derrotado quem desiste de lutar.

# | Humberto Coelho 9:20 PM

Quem avisou...
Sócrates responsabilizado, como primeiro-ministro e secretário-geral do Partido Socialista, em diversas análises eleitorais.

Lembram-se que havia aí uma certa pessoa que dizia que isso era um disparate? Disparate, mas é o que se estar a passar. Lamentável tamanha irresponsabilidade que terá levado a Direita a Belém.

# | Humberto Coelho 8:31 PM

O escrutínio
pode ser acompanhado aqui, a partir das 20h.

# | bruno 4:39 PM

Sexta-feira, Janeiro 20, 2006

Últimos cartuchos
Nestes últimos minutos, apetece-me recordar que, durante o reinado cavaquista, Portugal não teve um Ministério da Cultura.

O país de Camões, Pessoa e Eça não teve, com Cavaco, um ministro para a Cultura. O país dos Descobrimentos, que iniciou a globalização e ofereceu ao mundo um outro Renascimento, não mereceu o patamar mais elevado da orgânica de governo. Um país que tem um peso na Cultura universal muito superior à sua importância demográfica não teve, lamentável e estupidamente, um Ministro da Cultura.

Fazendo isso, Cavaco ignorou um activo estratégico do país, demonstrando falta de visão (a França e a Itália, por exemplo, conhecem bem a importância essencial dos seus activos culturais). E, ao entregar a pasta ao secretário de Estado Santana Lopes, mostrou o que pretendia para a cultura: o vazio.

Amanhã é dia de reflexão.

No Domingo, viveremos, espero, uma noite alegre.

# | bruno 11:59 PM

A Principal Nota...
Mais importante que lutar pelos interesses pessoais é lutar pelo verdadeiro interesse do país: derrotar a Direita!

Pela razão de sempre: PORTUGAL!

# | Humberto Coelho 11:59 PM

Dia D
Com o aproximar do dia D e com o divulgar das últimas sondagens, cada vez fico mais convencido que se a campanha durar mais duas semanas, como eu penso e quero, podemos ter uma vitória do Poeta, pois ele está a subir em todas as sondagens e o candidato da direita a ter a evolução contrária. Não poderemos ficar em casa ou deixar de dar a última palavra aos nossos familiares e amigos. Vamos lutar para não perder o que demorou a vida de muita gente a construir, não nos poderemos nunca esquecer dos nossos antepassados que lutaram contra a ditadura, a nós cabe-nos lutar contra o cavaquismo e a perversão dos poderes presidenciais.

O Presidente da Republica tem dúvidas e também se engana, é preciso ter humildade para o admitir tal como fez o Dr. Jorge Sampaio no caso do referendo ao Aborto.

Amigos vão votar, não esperem pela segunda volta, pois ela só existirá se nós votarmos à esquerda na primeira ou em branco, nunca ficando sentado no sofá a esperar os resultados e pela segunda volta.

# | Luís Lusitano 8:35 PM

Rumo à Segunda
Vamos à segunda volta. Aí estou convencido que a Direita será derrotada. Para isso, é fundamental que nenhum voto se perca. Mãos à Obra!

# | Humberto Coelho 2:48 AM

Instabilidade, segundo JPP
Como conviverá o Primeiro-Ministro, o Governo e o PS, cada um ao seu modo, com um presidente com forte legitimidade política, em particular se for eleito à primeira volta? - Pacheco Pereira, Abrupto, 10 de Janeiro de 2006

# | Humberto Coelho 2:11 AM

Será um erro?
Ao ver a última sondagem da marktest fico perplexo com a segmentação que fazem das pessoas que vão entrevistar. Veja-se, por mero exemplo, a proporção das intenções do voto legislativo dos seus entrevistados:

PS: 266 entrevistas
PSD: 327 entrevistas
CDU: 69 entrevistas
BE: 46 entrevistas
CDS: 11 entrevistas

Mas as mais recentes sondagens de carácter legislativo não dão todas uma significativa vantagem ao Partido Socialista? Então porque seleciona 266 entrevistados simpatizantes do Partido Socialista e 327(!) entrevistados simpatizantes do PSD?

Sabemos que há alguns sectores extremamente influentes da sociedade Portuguesa que querem meter o candidato da Direita já em Belém. Mas o povo não é burro e não se deixará instrumentalizar.

# | Humberto Coelho 1:03 AM

Ó Aníbal...
...onde estavas no 25 de ABRIL?

# | Humberto Coelho 12:51 AM

Quinta-feira, Janeiro 19, 2006

Momentos da Campanha
Este não é o momento para o BE medir forças com o PCP, nem para andar a dividir o PS à procura de protagonismos pessoais -Silva Pereira

O problema do dr. Mário Soares é ser bom demais para o Portugal de hoje. -Custódio Oliveira

# | Humberto Coelho 6:48 PM

Prognósticos para Domingo
Antes de saírem as grandes sondagens deixo aqui a minha previsão para o resultado eleitoral do próximo dia 22 de Janeiro, em percentagem:

Cavaco Silva: 48-52
Mário Soares: 17-21
Manuel Alegre: 14-18
Jerónimo de Sousa: 7-9
Francisco Louçã: 5-7
Garcia Pereira: 1

Domingo, aqui estarei para conferir o meu palpite.

# | Humberto Coelho 5:16 AM

E na noite
a verdade: o politiquês é tantas e tantas vezes a língua da hipocrisia. E isto não é um post "de campanha".

O politiquês é a língua eufemística, onde o que é, afinal, não é. São as palavras onde os medíocres se escondem, onde tudo é medido e tem segundas intenções. Onde não se diz o que se pensa, porque já não se pensa: joga-se. Onde só se tolera que está do mesmo lado e, em tantos casos, de quem nos podemos aproveitar. Finge-se, mente-se, insinua-se.

A política portuguesa é também isto. Não só (continuo a acreditar!), mas também. Assim, as pessoas com espinha dorsal acabam por se afastar ou até nunca se aproximar dos partidos. É o que eles (aqueles que já designei aqui de bestas aparelhadas) querem. Mas para diminuir os fenómenos de caciquismo, seria essencial que o número de militantes activos aumentasse consideravelmente e se instalasse uma verdadeira democracia interna, especialmente ao nível local e distrital. No meu mundo ideal, esses militantes iriam de encontro ao partido, não seriam arregimentados porta a porta. Dispensariam trela e canga.

Nesta campanha, tenho lido coisas absurdas. Argumentos estúpidos e delirantes, como se nos quisessem convencer de uma realidade que pura e simplesmente não existe. Algumas ideias avulsas que vi por aí, perdidas em blogues: o Bloco é uma cambada de malfeitores que pretende terminar com a democracia por dentro; se houver segunda volta, tal deve-se a Soares; Soares foi brilhante nos debates; Alegre, esse, é um mentiroso e um oportunista. Quanto à História recente do país, cada um escreve-a à sua maneira: Alegre desertou, Soares foi o pai único e supremo da democracia e até um mago das finanças, Cavaco é ungido como o melhor governante dos últimos oito séculos.

Por isso, soube muito bem ler isto. Um exemplo, entre outros, felizmente.

Há uns tempos, o Lusitano disse aqui: somos militantes, não somos apóstolos. Esta pequena frase, se ampliarmos o âmbito a que inicialmente se referia, diz tudo. Comporta a crítica ao fanatismo que por aí pulula. Eu manifestei aqui a minha discordância com a decisão de Manuel Alegre não ter suspendido o seu mandato de deputado na AR, e não considero que o meu apoio ao poeta seja menorizado por isso. Também não avaliei a sua participação nos debates como sendo brilhante. Pareceu-me evidente fazê-lo, porque tal correspondia ao que penso. Nada, no fundo, de extraordinário. As coisas são o que são.

Outra continuam, tomando-nos por néscios, a inventar uma realidade paralela. Com isso, menorizam-se. Ainda mais.


E se a honestidade, a criatividade e a competência fizessem uma OPA hostil aos partidos?

# | bruno 2:30 AM